domingo, 3 de outubro de 2010

Carne, Ossos, Tripas e Amor.

Um título um tanto quanto direto para quem é capaz de assimilar estas palavras. Digo direto porque, é isto o que somos e disto não passamos; Apenas carne e osso e tripa. Nem sempre Amor. Mas bem verdade é que, alguns de nós são mais Amor do que carne. Alguns tripas por Amor e Amor até os ossos.
Iguais, eu julgo. Rim, coração, pele, sangue, intestino. Iguais. O que nos faz apontar o dedo e determinar um belo “amontoado” é o que é possível enxergar aos olhos, e imaginar a possibilidade de ser palpável.
Carne. Alguns pedaços são mais atraentes, claro. Mais corados, mais cheios de vida... dá vontade de comer só de olhar! Outros podem apresentar uma coloração nem tão chamativa assim; Talvez seja pequeno demais, ou com uma camada de gordura muito grande, ou até mesmo, pode ser aos seus olhos, nojento. Carne, e só.
Mas o que “vale”, o que realmente nos prende, é o abstrato, o alucinógeno. Quero aqui registrar, que eu gostaria muito que cessassem em mim as vontades loucas de tentar explicar sentimentos. Se possível será, não sei, mas gostaria.
O abstrato alucinógeno. É como um cigarro de maconha. Papel, erva, fogo e saliva. Mas o que te leva à outra dimensão, e te faz flutuar, talvez perder o juízo, são as substâncias que adentram sua boca, e tomam conta de você por inteiro. A fumaça. Comparo isto, aos sentimentos. Carne, osso, tripa e só. Só! Não somos nada mais do que isso.
Mas, um timbre de voz é suficiente; A forma como se arregaça a boca á se mostrar em dentes é suficiente. Uma gentileza é suficiente. Você inala doses de fumaça, e pronto. O amontoado te derruba. Te faz esquecer a condição existencial de apenas carne e osso, e te entorpece, a ponto de cometer loucuras. É bem possível que você se torne um dependente, e por um momento não crê que sua existência seja possível sem o amontoado e a sua “fumaça”.
Erva, papel, saliva e fogo, eu desconheço. Mas conheço bem a dependência avassaladora. Sim, por amontoados. Por um pedaço de carne, ossos e tripas. Deste amontoado saía uma fumaça que me entorpecia, e me permitiu loucuras.
Mas tudo o que me prendia á você, era o abstrato alucinógeno que fluía dos teus canais. No mais, és apenas tripa e pele, como eu. Reconheço, que és o amontoado de carne mais bem feito, corado, e apetitoso. Mas são só... formas. Eu também as tenho. Pele e tripa. Tenho.
Vencido pelo cansaço. Cansaço de surrar os meus pedaços. De Amar até ossos.
Quero agora, canalizar isto tudo á necessidades físicas.
Para a sede, água; Para a fome, comida; Para carência, queridos. Para desejo, carne, e ossos, e tripas, e só!
Amor, não. Não agora. Não para com amontoados. Estou em processo de reabilitação.

Cláudio Rizzih.

3 comentários:

Su M. disse...

Ah, meu caro...Gostaria eu de lhe comentar o mais longo, e mais forte comentário a respeito de teu escrito. Mas infelizmente é impossível.
Minhas meras, singelas, e moribundas palavras causariam discordia com a harmonia das tuas.

E sim... deixe que amor descande. Ja que são ossos, tripas...Deixe ser, ja que é de lá que surge a fumaça alucinógena chamada amor.

(L) Lindo mesmo.

Su M. disse...

Descanse*

Andresa Alvez disse...

Já dizia Saint: "O essencial é invisível aos olhos". O que está aqui fora abre o apetite mas pouco importa, o que nos leva a ficar loucos é o que se passa por dentro.
Um dos seus melhores textos *para mim*.
Adorei! Parabéns Meu Amor!

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