segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Valente.

Era uma rapariga invocada. Lílian tinha apenas cinco anos, e já pensava como gente grande. Sua mãe naquele dia, lhe pôs um belo vestido florido. Estavam de saída, para uma visita ocasional aos tios. A pequena foi até seu quarto, pegou uma de suas bolsinhas pequenas, e foi ao encontro de sua mãe. Na cozinha, abriu a bolsa, que estava vazia;
- Mãe, a minha bolsa ta vazia, vou levar minhas maquiagens.
- Está bem filha.
Lílian foi ao quarto, apanhou seu estojo de maquiagens, um destes coloridos que se compra em lojas de brinquedos mesmo.
- Pronto mãe.
- Vamos então. Meu bem ponha meu celular na sua bolsinha.
- Não dá mãe, vai ficar ruim, minhas maquiagens já estão aqui.
- Mas o que é que tem? Não custa nada, vamos, ponha!
- Não mãe! Você deu essa bolsa pra mim de presente, ela é minha, e eu já estou levando minhas maquiagens!
- Mas Lílian, tem espaço de sobra aí dentro!
- Não tem não! E mesmo se tiver mãe! A senhora tem uma bolsa que é só sua! Ela é bem grandona e cabe um monte de coisas!
- Mas eu não vou levar minha bolsa. Vamos Lílian, ponha já meu celular aí, se não vamos nos atrasar! Mas que coisa!
- Ui, ui, ui! Não posso nem ter minhas coisas em paz! Porque é que você me deu a bolsa então? Você já tem a sua, e eu não posso nem usar a minha em paz! Está bem, pode colocar o seu celular na minha bolsa, mas quem vai levar é você. Pode deixar. As minhas maquiagens eu levo na mão.
E saiu resmungando...
- Ui, que droga, ui! Ela já teve um monte de bolsas e sempre leva o que ela quer. Daí ela me dá uma bolsa e eu não posso nem usar do meu jeito! Hoje não vou ser mais a amiguinha dela.

E ela estava certa. Sim, ela, Lílian. A bolsa pertencia á ela. Foi dada á ela, pequena, colorida, assim como sua vida em seus primeiros anos. Sua mãe tinha muitas outras bolsas, grandes e por vezes de uma só cor. Mas não havia o que fazer. Lílian entendeu que era sua mãe, e que não podia discutir.

Ás vezes, é realmente dispensável discutir, e isso vale muito mais para nós adultos, do que para crianças. Mas, se você realmente quer, seja valente: Deixe a bolsa de lado, e leve sua maquiagem na mão.


Cláudio Rizzih.

7 comentários:

Andresa Alvez disse...

Certas coisas é dispensável mesmo discutir. Somos adultos, e cabe a nós sermos valentes, e deixar algumas coisas de lado, até aquela bolsa que nós tanto amamos. Temos que levar a maquiagem na mão e esquecer.

Simplesmente adorei o texto! Mais uma vez, meus parabéns, Amor!

Leonardo Távora disse...

Mas, gente. Que gênio forte o da Lílian. Uma menina que certamente será gestora de empresa quando crescer. hehehehe

Mas tá certa! A bolsa é dela, oras. Ela leva o que quiser dentro de sua bolsa.

Mto legal, Claudio!!

Anônimo disse...

o dudu , essa história é real néh , é da nossa tia lilian ?

Carina disse...

Oi!
Muito legal seu blog. Estou seguindo ;D

Wanda disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Wanda disse...

Pequenina e com tamanha personalidade ! *-* Gostei muito do texto. Parabéns pelo blog. Tô seguindo.

http://distractingpages.blogspot.com/
passe por lá, se puder !

beeeijinho;

David disse...

Confesso que queria ser como Lílian! Me encantaria aprender algumas coisas com ela!

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