quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Ovo


Vou chegar assim, mendigo,
e logo te ganho.
Fico assim, contigo,
e te roubo.
Me enxergarás, para ti, o amigo.
me Amas.
E cuspiremos no mundo, donos de todas as razões
Tropeçaremos na baila, mijaremos na orla
Seguiremos as regras –algumas-
Neste entrelaço de artérias.
Vê? Te pertenço.
E então te ouvirei. Te enxugarei, e pronto. Nada falo.
Pois neste nosso silêncio há de haver uma resposta.
Eu serei a tua incubadora
E tu me descobrirás teu umbigo.
Nós dois, num ovo.
Num gole, num bairro.
Num ovo.
Mas aí, caro amigo
Desça logo de mim,
Pra não te machucares muito quando eu partir.
E ainda que eu prometa voltar pra te ver,
Não esperes por mim na varanda,
Nem sondes vez ou outra a sacada
Para ver se viro a esquina.
Deixo contigo memórias
De todo o meu te entender e te Amar.
Deixo saliva, cartas e porra.
Só não espere que eu seja nos teus trilhos permanente companhia.
Não espere de mim ser toda uma ferrovia.
Eu sou uma carona.
Eu, na boléia, sentado ao lado de mim.
Só, e só.

Claudio Rizzih.


2 comentários:

Andresa Alvez disse...

E depois de conhecer, ter, pertencer, o que será que a gente quer? Pegar a carona ou esperar a tempestade? Ir ou ver os sinais que um temporal deixou? Ouvir os contos do teu outro eu que ia na boléia, ou constatar com os próprios olhos se são ou não verídicos?
Eu prefiro a tempestade. Já enfrentei várias delas... Me sinto preparada para todas!
Cabe a quem anda junto escolher. Ou se permiir. Ou simplesmente ir.

"Vê? Te pertenço." Vejo.

Eu sim.

Leonardo Távora disse...

"Cabe a quem anda junto escolher. Ou se permiir. Ou simplesmente ir." Essa frase da Desa resume o que eu mesmo queria comentar!!

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