sexta-feira, 4 de março de 2011

Sambódromo

Desfilam sem intervalo verdadeiras escolas de samba pelas avenidas que me cercam, com pessoas fantasiadas, maquiadas e camufladas em tecidos e brilhantes que me impedem às vezes de reconhecer sua identidade, ou descobrir quem são verdadeiramente.  Por vezes isto me agrada, outras não. Por eu ser este excesso o tempo todo, às vezes preciso ser cercado do nu que simplifica o contato e a troca de sentimentos. Pois canto então, o mais harmonioso samba de Amor, ás musas que bailam á minha volta, que desde seus primeiros passos ás minhas vistas, despiram-se dos esplendores gigantescos e mostraram-se magníficas pelo simples.
Eu, jurado de mim, lhes dedico as notas mais altas, e aguardo ansioso por vê-las desfilar novamente, alegrando-me com sua existência, e torcendo para que este seja um ciclo permanente.  
Verdadeiras rainhas da (minha) bateria, dançando ao som da batida do meu coração.
Guia. Mulher. Humana. Amante. Amiga. Negra. Loira.
Sambista.
Amada.

Cláudio Rizzih.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Brilhemos

(Notícias do Velho Porto, parte II)

A mistura dos nossos cheiros de gente, de humanos e artistas. 
As nossas tessisturas se confundindo 
Numa fusão de notas que não se pode reconhecer com exatidão. 
Somos alma. 
Somos Luz e reluzimos alma.
Somos os alguéns que nos aplaudem. E aplaudimos sem parar as nossas fontes diversas de Amor ímpar e Arte bruta 
Que lapidamos em nós mesmos a cada canção, movimento, palavra. 
Aplaudimos sem parar o fato de ter um sentido maior a nossa existência de tantas incógnitas: 
Encher de luz toda geometria do mundo, 
E alcançar os corações sedentos de brilho e calor.


Claudio Rizzih. 


Em homenagem aos meus Amigos de alma, palco e elenco da Cia. Grito de Teatro, pelo Sucesso absoluto de "POP, O Musical".
Saravá!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Glória

Nunca gostei de ser consolado. Nem mesmo quando criança. Quando me entristecia com algo ou alguém, me isolava, e me permitia sentir as minhas dores sozinho. Devo dizer que sou apaixonado por abraços, e em horas difíceis eu até os aceito. Mas, dispenso toda e qualquer palavra; Dispenso todas elas.
Hoje é (mais um) dia, em que acordei insone, beijado e abraçado pela saudade.
Focando meu olhar ao passado, em uma fração de segundos revejo muitos momentos de glória em minha vida, momentos indescritivelmente emocionantes. Mas, se eu tivesse a oportunidade de poder reviver um dia de minha vida, trocaria as platéias lotadas, as premiações, as declarações de Amor, e os dias de gargalhadas incessantes por momentos que são para mim de glória muito maior (pena, só agora eu ter me dado conta do quanto).
Voltaria em uma tarde destas, onde ao passar pelo portão, eu o avistava na esquina, com uma mão no bolso, e a outra segurando as sacolas que traziam pão quentinho da padaria. Ou em um dia qualquer, antes de ir pro banho, passasse eu pela lavanderia pra pegar a toalha, e da janela o visse deitado, ouvindo o seu rádio de bolso apoiado sobre a barriga protuberante. Escolheria reviver o fim de qualquer dia, que se encerrasse pelo cheiro do café novo que ele fazia, apoiado nos armários. Talvez uma daquelas manhãs em que ele me acordava absolutamente pontual para algum compromisso. Poderia ser uma destas manhãs, mas de forma melhor: Um daqueles compromissos em que ele iria comigo, todo bonitão, cheiroso, de terno e tudo! Como no dia em que fomos fazer a minha identidade.
Ah, se eu pudesse voltar...
Ouvir mais uma vez a sua risada, ou a sua bronca quando brigava com meus irmãos. Sentir o seu cheiro muito particular. Quem me dera a oportunidade de sentarmos juntos á mesa mais uma vez para almoçar, no nosso cantinho, meu e dele, cadeiras lado á lado, enquanto eu o ouvia mastigar daquele jeito esquisito, por causa da idade.
Ele me amou de todas as formas possíveis. Ajudou-me em tudo o que lhe estava (ou não) ao alcance. Defendeu-me feito leão. Me dedicou o Amor mais puro que meus lábios puderam experimentar, que meus olhos presenciaram, e que me pudesse encher os ouvidos. O Amor maior do mundo. E eu, tentei lhe devolver na mesma medida todo este Amor, mas jamais será o suficiente. Nada do que eu fizer, vai chegar perto daquele Amor que eu sentia num simples beijo, ou abraço quando voltava de viagem. Este Amor maior, que me amou por quem sou.
Foram oitenta anos de vida. Oito meses acamado, o que tornou á sua partida um processo menos doloroso, por nos fazer acostumar com a idéia de não tê-lo por perto.
Nunca gostei de ser consolado. Talvez, ao ler estas palavras, você venha até mim para dizer que “são coisas da vida” ou que “ele está bem melhor do que nós” ou que “ele está no céu e feliz”. Eu sei disso tudo. Agradeço seus sentimentos, mas dispenso suas palavras.
Porque aceito sim, de verdade, a morte do meu avô. Mas, jamais aceitarei o fato de não estar mais com ele. E isso, palavra nenhuma pode dar consolo. Palavra nenhuma vai me dar a glória de tê-lo de volta. Nem mesmo por apenas mais um dia.

E se hoje, alguém admirar tudo o que faço, nos palcos e na vida, deve dedicar aplausos fortes e intermináveis. Não á mim, mas ao Sr. Abílio Canuto Pereira. É á ele que devo tudo o que sou, tenho, e serei futuramente. Por me amar todos os dias de minha vida mais do que a si mesmo, e por desde o início, calçar o chão onde eu pisaria.

Aplausos!!!

Um Beijo, Vô.
Te Amo. Agente se vê!

Junior,

Claudio Rizzih.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Sentimental e Viscoso.


Há poesia pura no sexo. No gênero e no ato. Em todas as suas formas. Em toda a sua duração. É lamentável haver ainda tantos tabus com tantas coisas. Alguns enxergam desejo, outros reprodução, passatempo, ou nem mesmo o enxergam como algo necessário. Porém há quem julgue determinada ânsia e querer uma aberração.
Pois, junte-se á mim todo aquele que for á favor de toda manifestação sexual de desejo e Amor.
Liberte-se de si! Dos seus conceitos cheios de poeira e pré-conceitos saídos do forno. Vamos além! Vamos pintar e escrever!
Desenhemos as curvas, o desenho dos ossos, a disposição dos rostos. Permita-se descobrir texturas! Cabelos, pêlos, dedos. Cílios, lábios, mamilos e barbas.
Dance! Deite, role, agache, estique, abra, feche, enrijeça, relaxe.
Exponha! Silhuetas, caretas, gemidos, ruídos, suspiros, gritos, manifestações sonoras desconhecidas. Explode! Tapeie, puxe, belisque, arranhe , implore, suplique!
Enlouqueça. Perca-se no mais estimulante e poético sentido: O olfato. Delire no perfume, no hálito, no corpo, na dela, no dele, nos nossos, nos deles, nas dobras, nos pés, nos lençóis.
Suicide-se.
Sinta fluir.
Deixe emergir.
Sentimental e viscoso.
Respire, Ame.
E então, comece tudo de novo.

Mesmo que seja todos os dias com a mesma pessoa.
Mesmo que seja todos os dias com alguém diferente.
Mesmo que seja só na sua imaginação, ao avistar delícias na rua.
Mesmo que seja com você mesmo.

Mas, que seja.
Façamos.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Esmalte

Para mim, o Amor acontece uma vez só.
Depois, fazemos ensaios e variações sobre ele.
Saímos do nosso primeiro verdadeiro Amor com um legado que consiste em bagagens abarrotadas de roupas mau passadas e manuais de como funciona isso ou aquilo. Em relacionamentos com um outro alguém depois de já ter amado, tem toda aquela história do “Olha, eu já passei por isso, então eu acho melhor...” E é aí que concluo que realmente o Amor acontece uma vez só.
Amor é quando você não passou por nada disso, quando você se arrisca com tudo pela primeira vez: lambe a faca sem medo de cortar, faz Amor numa cama de pregos, confia com os olhos vendados por um pano imerso em ácido. Quando não se sabe o que fazer, como agir, o que dizer. Quando não se define, nem se procura por definições (lembrando, claro, que este é apenas o meu desgraçado ponto de vista).
Por mais harmonioso que ás vezes possa ser um relacionamento, sempre será um campo de concentração: você nunca sabe o que te espera.
O Amor é uma garrafa de whisky, um colchão de molas, uma ratoeira, um vidro de esmalte vermelho.
O Amor que lhe pintou as unhas com a vivacidade rouge, é o mesmo Amor que lhe tirou o brilho com acetona fresca. Azar o seu ter deixado resíduos debaixo da unha só pra poder mordiscar depois. Não é saudável, sabia?! Mas, convenhamos. Quem é que disse que conseguimos controlar o impulso?
Pego-me perguntando: Então, gostarias de não ensaiar variações e arriscar tudo de novo sem conhecer o terreno?
A verdade é que eu não sei a resposta. Isto vai ficar martelando em minha cabeça, mas tenho certeza que não vou chegar á conclusão alguma.
Contudo, mesmo sendo o Amor um acontecimento único, felizes somos nós que podemos Amar de novo. Seja ensaiando, variando, ou sob a felicidade terrível de descobrir que eu estou errado, e que se pode sim, mesmo depois do Amor mais forte de uma vida, repetir á dose.
A dose de whisky, de esmalte.
Os “Eu Te Amo” claustrofóbicos.
As queimaduras de terceiro grau resultantes dos sexos em ebulição.
O choro maricas diante da reprise do Amor em cena.
Tragédia. e comédia. Horror e pornografia.
Amemos.
Morramos.


Cláudio Rizzih.

                                                                             

Encerro com uma das obras mais lindas de Picasso, L'étreinte (1903), que eu interpretei de forma muito especial, e senti tocar-me de acordo com as palavras que deixei acima. 


"O que será? Que Será? Que vive nas idéias desses amantes
 Que cantam os poetas mais delirantes
 Que juram os profetas embriagados
 Está na romaria dos mutilados
 Está nas fantasias dos infelizes
 Está no dia a dia das meretrizes
 No plano dos bandidos dos desvalidos
 Em todos os sentidos. Será, que será?
 O que não tem decência, nem nunca terá!
 O que não tem censura, nem nunca terá!
 O que não faz sentido..."


(Chico Buarque)

Abraços calorosos, 

Claudio Rizzih.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Âncora", e outras notícias do velho porto.

“Atenção senhores  passageiros da Auto Viação Catarinense, com passagem marcada para todas as horas, carro procedente dos seus sonhos, com destino á Degraus, Recomeço, Suor e Vitória: Portão de embarque C, plataforma 18. O TERRI deseja á todos uma boa viajem!”

Não é bem isso que diz a voz da moça da locução, mas é o que eu ouço. Mais uma vez me encontro no meu porto de emoções, resgatando o náufrago que sou para retomar viagem e atracar em um cais de outrora.
Não minto. Tempestades revoltas me assustam e nuvens cinza, mesmo lindas, me põem receoso. Mas já não há o que temer, tendo antes viajado por mares desconhecidos e descoberto a aparição fiel do sol ao fim da volta em meu próprio mundo.

Aportemos!

Claudio Rizzih.



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Aos master queridões admiradores dos meus trabalhos, aí vem coisa nova! Estréia no dia 13 de Março a nova temporada do Its Séries da Rede Record (Ric), pra toda Santa Catarina e Paraná pela televisão, e pra todo o Brasil pelo site da revista Atrevida. 
No elenco, euzitcho rs, Claudio Rizzih (Felipe), Giseli Ballestreri (Carol), Jholl Bauer (Tato), Thalita Meneghim (Mel), Lucas Duarte (JP), Tiffany Lastrucci (Gabí), Gabriela Fernandes (Cris) e Beppz Fontanella (Neto).
A série vai abordar temas fantásticos, e isso é tudo o que posso adiantar (se eu não quiser perder a língua e os dedos! rs).
Em Santa Catarina, o Its Séries vai ao ar aos Domingos, ás 11h30. No Paraná, aos sábados no mesmo horário. Já na Tv Atrê (Atrevida), dá pra assistir quantas vezes quiser, em qualquer lugar do Brasilsão e do mundo, rs.
Conto com vocês, ligados na telinha pra curtirmos juntos esse novo projeto que está sendo maravilhoso! Estamos trabalhando com muito carinho e dedicação pra levar algo bem massa pra vocês, sob o comando do nosso -antes de tudo, amigo- e diretor, Phil Rocha, com toda a equipe da Record empenhada! E como diz o meu grande amigo Jholl, "bóra-que-vamo!" rs.

Um milhão de obrigados e abraços esmagadores.

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E pra finalizar o post, deixo aqui uma das obras de um dos meus ídolos, Frida Desintegração da Perfeição Kahlo. 
A obra é "Viva La Vida", de 1954. Quem conhece o trabalho de Frida, nota que esta é uma obra um tanto diferente da maioria de seus quadros. No entanto, é no mínimo inspirador, para aqueles que podem enxergar muito além.
Vale ressaltar a curiosidade de que a banda Cold Play, intitulou seu álbum e uma de suas músicas de maior sucesso de "Viva La Vida", inspirados pela obra de Frida. 
Deu pra entender  o quanto tudo isso quer dizer, se os seus olhos buscarem além?
Pois então, VIVAM! Agora, já! Viva La Vida!

 Viva La Vida. Frida Kahlo, 1954.
Claudio Rizzih.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Annexe Secreta.

Amigo Leitor...
Conheça –ou, se você já a conhece, reencontre- Annelies Marie Frank, a nossa Anne Frank. Trata-se de uma menina adorável, nascida em Frankfurt Am Main, no dia 12 de junho de 1929. Tendo como cenário de sua vida a segunda guerra mundial, a condição de Judeus obrigou Anne e toda a família Frank (O pai, Otto Frank, a mãe Edith Frank e a irmã Margot Frank) a morar em um esconderijo, que Anne chamou de Anexo Secreto. E foi lá, escondida das calamidades e barbaridades que a guerra lhes oferecia por meio de sons, imagens, gritos e bombardeios, que Anne extravasou seus sentimentos de menina-mulher por entre as linhas de seu diário.
Seu maior sonho era ser escritora e jornalista. Infelizmente - e encontre nesta palavra todo o meu sincero pesar, Anne faleceu no campo de concentração Bergen-Belsen, sozinha, longe dos pais e da irmã que falecera diante de seus olhos. Ambas as vítimas de tifo. Mas, mal podia imaginar Anne que ali, no Anexo Secreto em companhia de Kitty (era assim que se chamava seu diário) escreveria o documentário mais emocionante, sincero e comovente da segunda guerra mundial, tornando seu sonho realidade sem que ela pudesse ao menos cogitar esta possibilidade em tamanha grandeza. O Diário De Anne Frank foi traduzido para nada mais nada menos do que sessenta e oito línguas em todo o mundo, e é hoje um dos livros mais lidos da história.
Conheça esta vida de perto, amigo leitor. Tranque a porta e viva conosco por dois anos no Anexo Secreto. Descubra o Amor em sua forma mais pura, através desta menina.

Imagem do real Diário De Anne Frank.

Agora, peço sua licença para fazer a minha singela homenagem particular á Anne, da mesma forma que fazia diariamente junto á Kitty.

7 de Janeiro de 2011.

Querida Anne.

Antes de qualquer coisa, seja bem vinda á minha casa.
Ontem, terminei de ler o seu diário. Como escreve maravilhosamente bem!
Preciso dizer que me encontrei em muitas linhas das suas palavras. Para falar a verdade, em quase todas! Imaginei o quanto foi triste sentir-se incompreendida, quando tão bem te compreendo e como queria poder ter lhe conhecido.
Peter tem razão. Tens lindos olhos! Mas o seu sorriso é o que ganha a mim e aos que te conhecem.
Acompanhei tudo o que aconteceu nestes tempos todos com a sua mãe. Como um alguém que olha de fora, vejo que ela era uma boa pessoa e que muito lhe amava. Mas há coisas que só percebemos depois de certo tempo, ou às vezes, nunca percebemos.
Oh, não me posso esquecer da Sra. Quackenbush! Quack Quack Quack! Desatei em gargalhadas com a sua estória, como é deliciosa de se ouvir! Pois eu sempre fui tagarela feito você!
Oh Anne... Há tanto que eu queria poder te dizer. Neste tempo todo em que tive em minhas mãos seu diário, pude trancar-me de verdade atrás da porta falsa, e viver tudo o que você descreveu. Com palavras não sei dizer como tudo se fez real em minha mente.
Finalizo –mesmo sentindo acumulado ainda muitas coisas as quais lhe gostaria de falar, dizendo que em todo o mundo, és uma das escritoras que mais admiro.Posso te sentir perto.
Sinta-se aplaudida, e ouça meus gritos honrosos ao seu nome.
Com Amor,


Seu Cláudio Rizzih.