Eu sou o encontro do homem que você planejou ser
Com a frustração touro.
Mês que vem eu estive contigo
E amanhã eu senti Saudades.
Me come na maca, eu ejaculo no dreno.
Me Ama na cara que eu to podre por dentro.
Eu idoso.
Surrado da vida
Á velar nossas bodas.
Claudio Rizzih.
sábado, 1 de outubro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Penha
(Num fim de tarde demais pra pensar em fazer diferente).
Os meus pés desenham o fim do trapiche desta praia
Abaixo dos meus olhos um mar sem ondas, silencioso
E profundo.
Deve haver lá em baixo peixes, espécies muitas, areia, objetos.
Sinto uma vontade tamanha de me deixar cair
E ver se no meio desta desordem de Deus
Encontro o que restou daqueles dias. Do passado.
Que uma vez me pôs maravilhado, e abandonou-me
Em Saudades a ancorar.
Claudio Rizzih.
Os meus pés desenham o fim do trapiche desta praia
Abaixo dos meus olhos um mar sem ondas, silencioso
E profundo.
Deve haver lá em baixo peixes, espécies muitas, areia, objetos.
Sinto uma vontade tamanha de me deixar cair
E ver se no meio desta desordem de Deus
Encontro o que restou daqueles dias. Do passado.
Que uma vez me pôs maravilhado, e abandonou-me
Em Saudades a ancorar.
Claudio Rizzih.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Jazigo Macio.
Ela sabia que só tinha mais um dia.
Estava diagnosticada.
Então naquela noite estalou ovos, passou ela mesmo o café.
Ele sentou-se a mesa, lhe sorriu Amorosamente
Ela engoliu aquele sorriso devagar, e voltou ao fogão para esconder as lágrimas.
Amavam-se tanto, tanto...
Foi ao quarto, cheirou as roupas dele.
Olhava os sapatos, os uniformes do trabalho, os móveis
Havia ainda o presente bem alí, na medida do possível, sólido.
Mas o passado fora tão perfeito, tão mais perfeito
Tão verdadeiramente o que de melhor acontecera em sua vida
Que ela havia colidido. Estava presa, bem lá.
Ele ligou o chuveiro, e ela ouvia a água cair, enquanto imaginava o seu corpo
Em cada parte. Lembrava-se do gosto, da temperatura
E chorava. Tão insolúvel, pesado, saudoso...
Cerrava os olhos, e seus momentos juntos lhe vinham como vultos.
Céus... Como fora feliz.
Quando ele voltou ao quarto, ela já fingia dormir.
Não houve um diálogo naquela noite
Apenas o costumeiro "Boa noite, meu bem"
E um beijo. Um último beijo.
Aquele silêncio surtia-lhe o efeito de mil demônios gritando em seus ouvidos
Travando uma batalha com a canção que era a respiração lenta dele.
Percebeu que descansava em sono pesado, e o abraçou por trás.
Ele era tudo o que ela mais Amava em sua vida. E a sua existência era o motivo
De seus dias mais quentes, e seus risos mais gostosos.
Vital feito saliva.
Não pregou os olhos aquela noite.
Ela sabia que só tinha mais um dia.
Pois havia se auto-diagnosticado.
A sua chaga era o passado, e era terminal.
Levantou-se e foi tomar o seu café
Que naquela manhã de um quase breu
Descia mais amargo do que o normal.
Pôs-se nua. Vestia apenas seus anéis.
Os que ele lhe dera.
Foi procurar em algum lugar do tempo
O Amor com sabor de manhãs, laranjeiras e reconciliações
Que havia ficado nas frestas.
Ele levantou. Calçou seus chinelos velhos e foi á cozinha.
Havia uma gérbera amarela no canto da janela
E um rouxinol cantava alegremente.
Cantava para sempre.
E lhe destruía pensar que
Ele teria muitos dias.
Muitos, muitos dias.
Boa noite, meu bem.
E,
Eu Te Amo.
Claudio Rizzih.
Como esta noite findará?
Estava diagnosticada.
Então naquela noite estalou ovos, passou ela mesmo o café.
Ele sentou-se a mesa, lhe sorriu Amorosamente
Ela engoliu aquele sorriso devagar, e voltou ao fogão para esconder as lágrimas.
Amavam-se tanto, tanto...
Foi ao quarto, cheirou as roupas dele.
Olhava os sapatos, os uniformes do trabalho, os móveis
Havia ainda o presente bem alí, na medida do possível, sólido.
Mas o passado fora tão perfeito, tão mais perfeito
Tão verdadeiramente o que de melhor acontecera em sua vida
Que ela havia colidido. Estava presa, bem lá.
Ele ligou o chuveiro, e ela ouvia a água cair, enquanto imaginava o seu corpo
Em cada parte. Lembrava-se do gosto, da temperatura
E chorava. Tão insolúvel, pesado, saudoso...
Cerrava os olhos, e seus momentos juntos lhe vinham como vultos.
Céus... Como fora feliz.
Quando ele voltou ao quarto, ela já fingia dormir.
Não houve um diálogo naquela noite
Apenas o costumeiro "Boa noite, meu bem"
E um beijo. Um último beijo.
Aquele silêncio surtia-lhe o efeito de mil demônios gritando em seus ouvidos
Travando uma batalha com a canção que era a respiração lenta dele.
Percebeu que descansava em sono pesado, e o abraçou por trás.
Ele era tudo o que ela mais Amava em sua vida. E a sua existência era o motivo
De seus dias mais quentes, e seus risos mais gostosos.
Vital feito saliva.
Não pregou os olhos aquela noite.
Ela sabia que só tinha mais um dia.
Pois havia se auto-diagnosticado.
A sua chaga era o passado, e era terminal.
Levantou-se e foi tomar o seu café
Que naquela manhã de um quase breu
Descia mais amargo do que o normal.
Pôs-se nua. Vestia apenas seus anéis.
Os que ele lhe dera.
Foi procurar em algum lugar do tempo
O Amor com sabor de manhãs, laranjeiras e reconciliações
Que havia ficado nas frestas.
Ele levantou. Calçou seus chinelos velhos e foi á cozinha.
Havia uma gérbera amarela no canto da janela
E um rouxinol cantava alegremente.
Cantava para sempre.
E lhe destruía pensar que
Ele teria muitos dias.
Muitos, muitos dias.
Boa noite, meu bem.
E,
Eu Te Amo.
Claudio Rizzih.
Como esta noite findará?
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Feto
E daí que tu tens que acordar amanhã cedo?
Atende esse telefone agora, e me ouve.
Me ouve porque eu preciso dizer que Eu Te Amo.
Que Eu Te Amo mais do que qualquer "mais do que".
Que eu passo os dias procurando involuntariamente nos outros
Um pedaço de vida que me aproxime daquilo que nós éramos juntos.
Sei que você vai dizer que é drama, cabeça fraca
Mas preciso confessar que quando estou feliz
Procuro as nossas lembranças e me ponho triste
Porque não aceitaria jamais "superar" tudo isso.
Isso de "bola pra frente e a vida continua".
A vida continua sim. A minha vida, em suas mãos.
Então eu escolho mais uma vez o náufrago, o aborto.
Porque a vida vem tentando germinar em mim sementes de amanhãs
De outros e cores que eu já conheço.
Eu as aborto todas.
Como pode depois de todo sofrimento, temporal, e
Madrugadas insones de coriza
Eu Te Amar ainda mais do que quando ontem?
Eu tenho comprado todos os teus perfumes e passado em mim
E me entorpeço e me toco, pra enganar-me a pensar que és tu
Mas nem minha mão tem o calor dos teus dedos
Nem eu sou capaz de passar num simples toque
Todo o Amor que tu me davas.
Sabes o que sinto ao te ver com prováveis Amantes?
Vontade de matá-los. Um a um.
Eu o faria gritando, e me insoparia.
Aí faríamos Amor ao lado do corpo.
Mas eu não sou assassino de outros. Só de mim.
Nem tu me Amas mais como antes.
Não me queres como antes.
Não lembras com frequencia do nosso antes.
Não atendes os meus pedidos de reconciliação
Nem mesmo atendes o telefone.
Boa noite.
Vou por nosso Amor pra dormir.
Claudio Piegas Fossa Rizzih.
Atende esse telefone agora, e me ouve.
Me ouve porque eu preciso dizer que Eu Te Amo.
Que Eu Te Amo mais do que qualquer "mais do que".
Que eu passo os dias procurando involuntariamente nos outros
Um pedaço de vida que me aproxime daquilo que nós éramos juntos.
Sei que você vai dizer que é drama, cabeça fraca
Mas preciso confessar que quando estou feliz
Procuro as nossas lembranças e me ponho triste
Porque não aceitaria jamais "superar" tudo isso.
Isso de "bola pra frente e a vida continua".
A vida continua sim. A minha vida, em suas mãos.
Então eu escolho mais uma vez o náufrago, o aborto.
Porque a vida vem tentando germinar em mim sementes de amanhãs
De outros e cores que eu já conheço.
Eu as aborto todas.
Como pode depois de todo sofrimento, temporal, e
Madrugadas insones de coriza
Eu Te Amar ainda mais do que quando ontem?
Eu tenho comprado todos os teus perfumes e passado em mim
E me entorpeço e me toco, pra enganar-me a pensar que és tu
Mas nem minha mão tem o calor dos teus dedos
Nem eu sou capaz de passar num simples toque
Todo o Amor que tu me davas.
Sabes o que sinto ao te ver com prováveis Amantes?
Vontade de matá-los. Um a um.
Eu o faria gritando, e me insoparia.
Aí faríamos Amor ao lado do corpo.
Mas eu não sou assassino de outros. Só de mim.
Nem tu me Amas mais como antes.
Não me queres como antes.
Não lembras com frequencia do nosso antes.
Não atendes os meus pedidos de reconciliação
Nem mesmo atendes o telefone.
Boa noite.
Vou por nosso Amor pra dormir.
Claudio Piegas Fossa Rizzih.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Balsa
O meu coração está inflamado:
Há uma birgorna no espaço do peito
E um anzol na pálpebra.
O resto é aterro e outono.
Eu fico pensando em como você está.
Se está sorrindo, o que está comendo, quem está comendo.
Se está vestindo aquela camisa que eu te dei
Ou mesmo a minha que ainda está aí porque me esqueci de pegar
E fica justa em você, mas você insiste em usar.
(Porque ela é linda e eu aposto que você usa para galantear á outrem)
Meus olhos, meus dedos, meus pelos
O coração - o peito e o pênis
Estou tão em você...
Eu sinto a sua falta, ta?
Do cheiro da tua cara depois de comer pizza
De passar pomada nas feridas das tuas costas
Da tua bordoada na minha cara.
Eu sinto, na verdade, falta de morrer todos os dias.
Estou sem você.
Tão vivo que não me agrada.
Eu que havia aceitado a condição do estado de coma
Desde que tu estivesses á beira da cama,
Agora faço terapia ocupacional
Brincando de vida por aí.
Vivo.
Beijando mendigos e putas
Pra boca não ficar seca.
Tão cheio de vida por nada.
Tão cheio de nadas nessa vida,
Que não me encanta.
Volta pra mim e me mata de vez.
Me mata de novo.
Porque "morrer de Amor", tu sabes
Me apetece.
Uma overdose de recomeços.
Claudio Rizzih
sábado, 9 de julho de 2011
Aviário
Palavras em bando, para o quase Amor
De uma vida de talvez
(Ou mesmo de nuncas)
Para uso de ninho.
(Coma-me inteiro
E deixa no estômago.
Ou expulsa cloaca á fora.
Mas, come).
Eu quis voar e posar nos teus ramos
Mas tu tinhas contigo a peste no teu aviário.
Lacrou-me as patas, e me deixou pelado,
De vontade de pelado.
Achei que tivéssemos casado alí mesmo.
Mas não casamos porque...
Porque?!
Porque... porque... porque
Infernos de porquês.
Porque não tinha padre, pronto.
Por isso.
E se quer saber,
Acho melhor que nem te lembres.
Pois vale mais a preciosidade do esterco
Do que estas palavras desconexas.
Ficas lindo ao lado do teu pássaro.
Continues, pois.
Claudio Rizzih
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Despedaço.
Guardou as bailarinas e os pierrôs velhos
Na caixinha de música bordô.
Deixou tintas e também tripas
Pra quando voltasse.
Doía por toda a partitura.
Dedicou algum pus e algumas lágrimas.
Dançou a última ciranda,
E ficou no chão o suor do artista.
Nasceram ali árvores de enamorados
E vácuos de adeus, e pênis e vaginas
Os frutos viscerais do homulher da arte.
Enraizaram depressa alguns desamores
Mas, fez-se outono precoce.
Cruzou o velho porto,
O nômade
A criatura
O animal – bicha
O michê-langelo.
Aí, fez uma pausa para morrer afogado
Nos seus náufragos Amores.
Ouviu lá longe a marcha e os trompetes
Chamando pro mundo o seu nome.
Num ímpeto, juntou seus pedaços
Deu um murro no cavalo,
E fugiu com o circo.
Foi engolir as mãos e aplausos da platéia
E mastigar um por um
Do respeitável público.
Senhoras... e senhores.
Claudio Rizzih.
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