segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dezenove Invernos.

Intensos, revoltos, poéticos, bucólicos. O cinza lá fora, e as cores em nós. Vibrantes. Multicores.


Saravá, Amantes! Muito Obrigado por tudo! Pelas palavras, e preces, e lágrimas, e calor e novembros.
Eu os Amo.
Sem mais.
Quanto as formalidades...
Ao Deus Pai, à majestade e aos governadores do meu reino, aos protagonistas da minha comédia e tragédia constante, ao Grande Amor da Vida, aos tripulantes.
Lhes dedico a razão do movimento matinal das pálpebras destes anos todos, e os meus obrigados milhares por me encher os pulmões de ar.
Deixo minha palavra aqui, na promessa de esboçar palavras melhores numa outra ocasião, que alcance numa forma mais precisa o quanto sou grato á estas criaturas. 

Da sorte, não sei.
Mas Oxalá que haja Amor, Vida e CORAGEM, para que eu possa chegar aos cem.
E que vocês ainda estejam comigo! De forma ou de outra.


Muitas Felicidades em muitos anos de Vida.
Eu sobrevivi!

AMEMOS.
Claudio Rizzih.

domingo, 24 de abril de 2011

Pretextos para explicar os Pretéritos.

Nos teus braços havia um trapiche.
Decidi então caminhar pela madeira escorregadia, úmida e cheia de limo.
Ameacei cair durante o percurso, mas me segurei forte o bastante em algo abstrato que tamanha força me deu.
Quão lento foi o trajeto, saudoso. Quero dizer, frio de saudades. Mas havia calor na voz que nascia da canoa, me alcançava na marola, e pescava-me.
Ocorreram-me tantos pensamentos. Céus... Quantos!
Desconfiei que eu não soubesse o que era vida.
E não sabia. Mas sabia do que se tratava “viver”.
Havia água doce na placenta da mãe vida, e eu, o descompasso, por ordem natural de pai destino, fui precoce, e me auto-pari.
Pari-me para que nos teus braços eu descobrisse logo o desabrochar do Amor. Para que conhecesse todo e qualquer sentimento que não fosse efêmero. Para tornar-me homem.
Teus braços bailavam jogando as redes de longe, para que eu corresse, pulasse, e me embolasse em ti e na tua vida.
Pois no rio vivia um peixe. E nos teus braços um trapiche.
E eu corri.
E corri, e saltei, e caí.
E morri afogado.
E morri de Amor.
E venho morrendo, então, de Amor, todos os dias.


Claudio Rizzih.

terça-feira, 22 de março de 2011

Cruel

Por que é que tem que ser tão fraca? Que me deixa perder por pouco?! Por tão pouco?!
Que em qualquer esquina me pode raptar?! Que está nos cantos, nos banheiros, nos pés, debaixo dos braços, no olfato. Por que?! Por que tem marretas nas mãos capazes de destruir construções de períodos longínquos?
Pergunto-me sem pausas, por que.
Tentei -e tento- por inúmeras vezes fugir, abrigar-me. Mas os abrigos me socorrem por pouco tempo, perdendo-me por algo que dura menos tempo ainda.
O olfato junta-se com a visão, e me põe nas idéias um suicídio carnal. Nem mesmo preciso tocar pra perder as estribeiras! Está ali, perto do que posso ver, sentir, cheirar. Humanamente cruel.
Talvez seja -mais uma vez- esta minha condição de "excesso" a causa disso. Não sei ser pouco, nem sentir pouco, nem estar pouco. Preciso me afogar, e dependendo do caso, retardar a imersão.


A existência do sexo é cruel! Ou a força que ele exerce sobre mim, é.


Aviso aos humanos: Lavem-se com os mais fortes perfumes! Abusem de todos os cheiros artificiais existentes. Escondam os seus cheiros de gente de mim. Ou estejam em estado inodoro. Amputem seus pés, e não tenham pêlos. Passem pela minha vida, mas não cruzem com a minha tara. Minha libido pode ser você.


Porque a carne não é fraca.
Fraco sou eu.
Minha carne é sua.
Me Ame aqui.




Claudio Rizzih.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pensamentos póstumos de um recém nascido.

"A vida tem seus altos e baixos", diz o ditado popular.
Talvez a sua vida seja assim. Talvez a vida seja assim.
Eu, optei por fazer da minha vida,uma roda gigante. 
Luz, poesia, brilho, romance, medo e perigo.
A segurança é ridícula. Quase inexistente.
Dá medo de cair. Calafrios, ás vezes.
Ignoro.
Aceito definitivamente a possibilidade de cair, ganhar sequelas, ou morrer.
Pois que eu morra.
Desde que minha vida passe aos meus olhos na velocidade de uma roda gigante. 
Que eu possa ver de perto os Amantes se beijando, e beijar a idéia de um dia Amar de novo.
Desde que eu veja o brilho, a luz.
As luzes.
Que eu morra. 
Desde que o Amor jamais morra em mim, e que assim, se morra em poesia.


Pois se as voltas que a vida dá, mesmo que muitas, são curtas...
Então que o que se faz em vida, seja gigante.


Claudio Rizzih.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Sambódromo

Desfilam sem intervalo verdadeiras escolas de samba pelas avenidas que me cercam, com pessoas fantasiadas, maquiadas e camufladas em tecidos e brilhantes que me impedem às vezes de reconhecer sua identidade, ou descobrir quem são verdadeiramente.  Por vezes isto me agrada, outras não. Por eu ser este excesso o tempo todo, às vezes preciso ser cercado do nu que simplifica o contato e a troca de sentimentos. Pois canto então, o mais harmonioso samba de Amor, ás musas que bailam á minha volta, que desde seus primeiros passos ás minhas vistas, despiram-se dos esplendores gigantescos e mostraram-se magníficas pelo simples.
Eu, jurado de mim, lhes dedico as notas mais altas, e aguardo ansioso por vê-las desfilar novamente, alegrando-me com sua existência, e torcendo para que este seja um ciclo permanente.  
Verdadeiras rainhas da (minha) bateria, dançando ao som da batida do meu coração.
Guia. Mulher. Humana. Amante. Amiga. Negra. Loira.
Sambista.
Amada.

Cláudio Rizzih.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Brilhemos

(Notícias do Velho Porto, parte II)

A mistura dos nossos cheiros de gente, de humanos e artistas. 
As nossas tessisturas se confundindo 
Numa fusão de notas que não se pode reconhecer com exatidão. 
Somos alma. 
Somos Luz e reluzimos alma.
Somos os alguéns que nos aplaudem. E aplaudimos sem parar as nossas fontes diversas de Amor ímpar e Arte bruta 
Que lapidamos em nós mesmos a cada canção, movimento, palavra. 
Aplaudimos sem parar o fato de ter um sentido maior a nossa existência de tantas incógnitas: 
Encher de luz toda geometria do mundo, 
E alcançar os corações sedentos de brilho e calor.


Claudio Rizzih. 


Em homenagem aos meus Amigos de alma, palco e elenco da Cia. Grito de Teatro, pelo Sucesso absoluto de "POP, O Musical".
Saravá!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Glória

Nunca gostei de ser consolado. Nem mesmo quando criança. Quando me entristecia com algo ou alguém, me isolava, e me permitia sentir as minhas dores sozinho. Devo dizer que sou apaixonado por abraços, e em horas difíceis eu até os aceito. Mas, dispenso toda e qualquer palavra; Dispenso todas elas.
Hoje é (mais um) dia, em que acordei insone, beijado e abraçado pela saudade.
Focando meu olhar ao passado, em uma fração de segundos revejo muitos momentos de glória em minha vida, momentos indescritivelmente emocionantes. Mas, se eu tivesse a oportunidade de poder reviver um dia de minha vida, trocaria as platéias lotadas, as premiações, as declarações de Amor, e os dias de gargalhadas incessantes por momentos que são para mim de glória muito maior (pena, só agora eu ter me dado conta do quanto).
Voltaria em uma tarde destas, onde ao passar pelo portão, eu o avistava na esquina, com uma mão no bolso, e a outra segurando as sacolas que traziam pão quentinho da padaria. Ou em um dia qualquer, antes de ir pro banho, passasse eu pela lavanderia pra pegar a toalha, e da janela o visse deitado, ouvindo o seu rádio de bolso apoiado sobre a barriga protuberante. Escolheria reviver o fim de qualquer dia, que se encerrasse pelo cheiro do café novo que ele fazia, apoiado nos armários. Talvez uma daquelas manhãs em que ele me acordava absolutamente pontual para algum compromisso. Poderia ser uma destas manhãs, mas de forma melhor: Um daqueles compromissos em que ele iria comigo, todo bonitão, cheiroso, de terno e tudo! Como no dia em que fomos fazer a minha identidade.
Ah, se eu pudesse voltar...
Ouvir mais uma vez a sua risada, ou a sua bronca quando brigava com meus irmãos. Sentir o seu cheiro muito particular. Quem me dera a oportunidade de sentarmos juntos á mesa mais uma vez para almoçar, no nosso cantinho, meu e dele, cadeiras lado á lado, enquanto eu o ouvia mastigar daquele jeito esquisito, por causa da idade.
Ele me amou de todas as formas possíveis. Ajudou-me em tudo o que lhe estava (ou não) ao alcance. Defendeu-me feito leão. Me dedicou o Amor mais puro que meus lábios puderam experimentar, que meus olhos presenciaram, e que me pudesse encher os ouvidos. O Amor maior do mundo. E eu, tentei lhe devolver na mesma medida todo este Amor, mas jamais será o suficiente. Nada do que eu fizer, vai chegar perto daquele Amor que eu sentia num simples beijo, ou abraço quando voltava de viagem. Este Amor maior, que me amou por quem sou.
Foram oitenta anos de vida. Oito meses acamado, o que tornou á sua partida um processo menos doloroso, por nos fazer acostumar com a idéia de não tê-lo por perto.
Nunca gostei de ser consolado. Talvez, ao ler estas palavras, você venha até mim para dizer que “são coisas da vida” ou que “ele está bem melhor do que nós” ou que “ele está no céu e feliz”. Eu sei disso tudo. Agradeço seus sentimentos, mas dispenso suas palavras.
Porque aceito sim, de verdade, a morte do meu avô. Mas, jamais aceitarei o fato de não estar mais com ele. E isso, palavra nenhuma pode dar consolo. Palavra nenhuma vai me dar a glória de tê-lo de volta. Nem mesmo por apenas mais um dia.

E se hoje, alguém admirar tudo o que faço, nos palcos e na vida, deve dedicar aplausos fortes e intermináveis. Não á mim, mas ao Sr. Abílio Canuto Pereira. É á ele que devo tudo o que sou, tenho, e serei futuramente. Por me amar todos os dias de minha vida mais do que a si mesmo, e por desde o início, calçar o chão onde eu pisaria.

Aplausos!!!

Um Beijo, Vô.
Te Amo. Agente se vê!

Junior,

Claudio Rizzih.